Muitas vezes nos perguntamos porque nossas fotos são tecnicamente boas porém visualmente não nos diz muita coisa quando comparamos elas com as de outros fotógrafos mais experientes. Em 99% das vezes a resposta se dá em uma palavra: composição.
Composição é o modo em que montamos a fotografia, ou seja, como colocamos no enquadramento o motivo principal assim como o fundo e demais componentes da foto. Para algumas pessoas, principalmente artistas plásticos, isso é uma tarefa fácil e intuitiva porém muitos sentem dificuldades em montar e enquadrar o tema no visor da câmera.
Nosso primeiro instinto é centralizar o tema a ser fotografado, nos preocupando se está simetricamente distribuido no quadro da foto. Em algumas situações, como em retratos, esse tipo de enquadramento funciona porém na maioria das vezes o resultado é uma foto estática, que não nos diz muita coisa. Olhamos para a fotografia e em poucos instantes conseguimos interpretar toda ela e isso, num certo sentido, nos deixa um tanto frustrado. É mais ou menos como ler um livro sabendo todo o enredo dele, podemos nos deliciar com a linguagem e o modo como o autor escreveu ele porém todo o mistério já não existe pois sabemos tudo o que irá acontecer.
Podemos pensar a fotografia da mesma forma. Ao criarmos uma necessidade de interpretação da foto cria-se uma tensão, uma necessidade de interpretarmos a foto e com isso a necessidade de passar mais tempo vendo ela, interpretando os detalhes e como o motivo principal interage com a paisagem. Mas como criar essa tensão? Como fazer com que nosso motivo principal se destaque no meio de uma paisagem? Um dos recursos para fazermos isso é a chamada “regra dos terços”.
A regra dos terços não é uma criação da fotografia, os antigos pintores sabiam que ao se criar duas linhas verticais e duas linhas horizontas imaginárias de forma proporcional na tela (podemos imaginar um jogo da velha simétrico), os pontos coincidentes dessas linhas eram os pontos da tela que chamava mais a atenção do nosso olhar (fig. 1). Sabendo disso eles colocavam propositalmente os motivos principais de suas pinturas nesses pontos coincidentes.
Na fotografia usamos o mesmo conceito, colocamos nosso assunto principal coincidindo com um dos quatro pontos de interesse da regra dos terços. No entanto não apenas os quatro pontos de interesse são úteis, podemos usar também as duas linhas verticais e horizontais para dividir a fotografia e criar uma equilíbrio na composição. Linhas do horizonte são um bom exemplo para o uso da linha horizontal: se o céu é o que queremos mostrar mais usamos a linha inferior como divisão do horizonte e a paisagem terrena é o que queremos mostrar mais, então usamos a linha superior como divisão. Linhas do horizonte dividindo a foto no meio em geral tornam a foto monótona, a não ser que nossa intenção seja reja realmente dividir a foto ao meio, para enfatizar reflexos ou simetrias na foto por exemplo.
Um exemplo do uso de um dos quatro pontos de interesse da regra dos terços é verificada na foto 1.
Na foto 1 verificamos que o motivo principal coincide com o ponto de interesse superior esquerdo da foto. Ao analisarmos a fotografia verificamos também que os dois rapazes junto à bicicleta estão próximos ao ponto de interesse superior direito, o que nos faz chamar a atenção para eles. A leitura de nós ocidentais é sempre da esquerda para a direita e de cima para baixo, esse fato e mais o fato dos rapazes estarem fora de foco faz com que primeiro nossa atenção seja direcionada para o rapaz que está lendo e depois para os dois rapazes no segundo plano.
Notamos também que os limites superior e lateral da grade coincide com as linhas superior e direita, equilibrando ainda mais a fotografia.
A regra dos terços na prática
No começo pode parecer dificil mas com o tempo conseguimos imaginar as linhas no visor da câmera e compor a foto de acordo com a regra dos terços. Algumas câmeras inclusive vem com o recurso de mostrar as linhas no viso e/ou tela, facilitando bastante o momento da composição porém haverá situações em que teremos muito pouco tempo para enquadrar e compor a fotografia. Nessas situações podemos aplicar a regra dos terços no momento da edição da foto no computador usando um editor de imagens (Photoshop, Lightroom, Aperture, etc.).
Podemos citar um exemplo prático. Ao fotografar um pássaro temos muito pouco tempo para preparar a câmera, enquadrar, compor a foto e clicar. No caso da fotografia mostrada em foto 2, o corvo pousou no muro e tive que pegar a câmera, tirar a proteção da lente, ligar, enquadrar a foto e clicar em menos de 5 segundos. Se eu fosse parar para compor melhor a foto o corvo teria voado e eu perderia a foto. Nessas situação podemos enquadrar o corvo no centro da foto e abrir um pouco mais o campo de visão (menos zoom), assim teremos o motivo principal e espaço suficiente ao redor dele para editarmos e compormos a foto. Veja bem, o ideal é compor a foto no momento em que a tiramos, cada segundo que a gente economiza no momento da foto será necessário um minuto ou até mais no editor de fotos para corrigir ela.
A foto tecnicamente está boa porém é uma foto que não nos diz muita coisa. Ao olhar para ela vemos o corvo em primeiro plano em cima de um muro e nossa leitura termina por aí, vemos uma praça no fundo mas nada lá atrás nos chama a atenção.
Começamos então redimensionando e cortando a foto (crop) nos baseando na regra dos terços. Começamos posicionando o corvo no canto inferior esquerdo, assim teremos uma boa visão do fundo também, e o resultado é a foto 3.
Foto 3 - Resultado da foto original após o deslocamento do corvopara o ponto de interesse inferior esquerdo
O resultado é uma foto um pouco mais bem resolvida e agora o corvo nos chama mais a atenção e o segundo plano se faz mais evidente, ajudando a compor a foto, porém o muro mais parece um chão agora. Para resolver esse “problema” moveremos o corvo para o canto superior esquerdo, como mostrado na foto 4.
O corvo aparece mais destacado porém o segundo plano ficou mais apagado e o muro ficou com um destaque muito grande, além de sua linha estar muito centralizado na foto.
Comparando-se com a foto 3 o resultado da foto 4 ficou a desejar.
Como uma terceira opção colocaremos a linha do muro coincidindo com a linha imaginária horizontal inferior e o corvo coincidindo com a linha imaginária vertical esquerda. Podemos verificar o resultado na foto 5.
Foto 5 - Foto original após coincidir a linha do muro com a linha horizontal inferiore o corvo com a linha vertical esquerda.
Como resultado temos uma foto muito mais bem resolvida comparando-se com as fotos 3 e 4. O corvo tem um destaque no primeiro plano, a linha do muro está numa posição mais agradável e o segundo plano também nos chama a atenção, ajudando a compor a foto.
É claro que o resultado sempre é subjetivo e o que pode ser mais agradável para uns pode não ser para outros. No exemplo dado algumas pessoas irão preferir a foto 3, outras a foto 4 ou mesmo a 5 e também algumas pessoas irão preferir a foto original, com o corvo centralizado. No meu ponto de vista a foto 5 é a mais bem resolvida. Se formos analisar friamente todas as fotos estão corretas e o que irá pesar mais será o que queremos passar com a fotografia.
Como toda regra na fotografia, a regra dos terços não é uma regra rígida que deve ser seguida a risca porém ela é uma excelente ferramenta para nos ajudar a criar fotos mais agradáveis ao nosso olhar.
Um excelente final de semana para todos!
















Eu fiz sobre canudinhos, mas fiquei indignada em saber que o grupo considera canudinho brega. Os canudinhos de maionese são um clássico nas festas da minha família. E todo mundo ama!!!!



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